terça-feira, 3 de junho de 2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Balanço geral

Já de volta a Brasília, posso fazer um balanço da viagem:

O que dinheiro nenhum paga:

- A felicidade das pessoas, mesmo vivendo em condições precárias;
- Ver outras formas de se viver feliz;
- Tambaqui e Matrinxã em Lábrea;
- O Baré;
- Ficar surpreso com a quantidade de crianças nas escolas;
- A aventura de barco, apesar do medo;
- Ver Brasília a noite do alto é fantástico;
- Ter estado no meio da Floresta Amazônica;
- Não pegar celular em Lábrea;
- O serviço de bordo da Trip.

O que ninguém merece:

- Pisar em cocô de cachorro em Tefé;
- Os urubus em Lábrea e em Tefé, e os cachorros doentes em Tefé;
- O calor que faz em Manaus;
- Não pegar celular em Lábrea;
- O Hotel Solimões;
- A falta de chuveiro elétrico;
- A barulheira das motos em Tefé;
- Ter ficado com dor de barriga;
- O serviço de bordo da Gol;
- Os serviços de Tefé (atendimento em restaurantes, lojas, hotéis).

Dia 25 - O retorno

Depois de mais uma noite sem dormir direito naquele hotel chechelento em Manaus e na companhia de um colega roncando me levantei para trabalhar mais um pouco. Tínhamos que entregar um documento a um ex-prefeito de Tefé que se encontrava em Manaus. Impressionate como o cara "chorava"... Depois da reunião como distinto fomos tomar café. Diferente do café da manhã em Tefé, era um café bem farto (o que deixa o hotel menos desprestigiado). Fomos andar na feirinha e nos dividimos em dois grupos: um foi trocar um DVD e outro, que eu fiquei, foi ao banco. O pessoal resolveu ir a um clube almoçar e eu resolvi ficar no hotel com o colega pra descansar um pouco e arrumar a bagagem. Demos mais uma volta na feirinha, compramos uns cacarecos, procuramos eletrônicos baratos em vão e fomos andar no porto. Lá tinha um navio de cruzeiro enorme, bem luxuoso, chamado "Grand Amazon" que acredito ser o hotel flutuante dos turistas gringos. Voltamos ao hotel. Por volta das 13h saímos pra procurar algo para comer que fosse agradável. Na feirinha era impossível. A comida era feita com certeza no dia anterior e levada para lá em potes nojentos de plástico. Já estava tudo revirado. Perguntando a um e outro chegamos a uma cantina italiana (Ristorante Fiorentina) de comida caríssima (R$40,00 o buffet ou a média de R$20,00 a la carte), mas diziam que o prato era farto e pedimos um para dividir por dois. O restaurante é bem bonito, agradável, climatizado e a comida é muito boa. Foi a melhor refeição desde que saímos de Lábrea: comemos um gnochi ao molho branco com queijo e presunto. A massa estava uma delícia e molho bem suave. Voltamos ao hotel, tomei um banho e esperei a hora de ir ao aeroporto, já que já tinha acertado a conta do hotel. Conseguimos um taxi mais em conta e enfrentamos a fila do check-in que estava enorme. Fiquei com medo do vôo atrasar, mas deu tudo certo. Chegamos a Brasília no horário previsto sentindo um friozinho e o cheiro bom de cidade grande. Cheguei em casa e corri na padaria que tinha acabado de fechar, mas deixaram eu entrar pra comprar. Foi tão bom! Estava com saudade de um pão bem feito e uma padaria limpa, da minha casa, do meu chuveiro, da minha cama, da minha colcha de retalho e do cobertor felpudo, do meu bichinho (achei ele gordo). Lanchei, tomei banho e dormi para mais um dia de trabalho.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dia 24 de maio – Depois da tempestade vem...

Mais um dia de calor... Apesar de ser sábado, tivemos que voltar à secretaria no horário combinado (8h) com o “simpático” Secretário de Finanças e cunhado do prefeito. O pessoal atrasou e eu resolvi adiantar-me e ir... Subi no mototaxi, avisei que ao piloto que o meu santo era de barro e fui! Cheguei lá às 8h em ponto pra depois ninguém reclamar comigo de pontualidade. Terminamos o trabalho penoso e por volta das 10h, fizemos uma reunião de avaliação e fomos para onde? Para o “point” Panorama Hotel... O pessoal resolveu alugar um carro para dar uma volta pela cidade antes de irmos embora e eu e a colega resolvemos ficar na cidade. Fiquei sabendo que eles resolveram ir a um clube. Eu e a colega fomos almoçar no restaurante Tabatinga. O lugar parecia uma estufa! Um restaurantezinho encardido, bem mal encarado mesmo! Comi e fiquei me sentindo mal, pois fazer uma caminhada naquele calor até o hotel onde estávamos hospedados não era fácil! Ao chegar ao hotel: banheiro! Afff! Ninguém merece! Tomei um banho, desci para acertar a conta, voltei ao quarto e cochilei um pouco até a hora de sair pro aeroporto. Acordei com o pessoal chegando do clube. Quando desci, a colega estava esperando por nós e observando o temporal que estava se formando. Resolvemos fazer duas viagens até o aeroporto com o carro alugado. O combinado era fazer a primeira, descarregar, passar no hotel, pegar o dono do carro e fazer a segunda viagem, mas já estávamos com o tempo curto. Fui na primeira leva, lógico! Colocamos as malas no carro debaixo de chuva forte... Chegamos ao aeroporto e a tempestade na mesma toada... Percebemos que não dava tempo de passar no hotel para devolver o carro. Lavei minhas mãos... Voltaram ao hotel e pegaram o restante do povo. Chegaram ao aeroporto sem saber o que fazer com o carro. E a chuva caindo. Até que resolveram ligar para o Panorama e chamar a atendente (no bom e no mau sentido) para ir para o aeroporto ficar com a chave caso não conseguissem falar com o dono e ligaram pro dono ir buscar o carro. Conseguiram só depois que o avião pousou e não sei que fim tomou a novela da devolução do carro. Pareceu mágica (ou minha oração deu resultado): foi só o avião pousar (ele já vinha de outra cidade) e o céu abriu. Chegamos a Manaus depois de uma hora e meia (com uma escala em Coari e uma briga pelo preço do táxi no aeroporto) e não saí mais do hotel. Dormi depois de um China In Box.

Dia 23 de maio – Google, o salvador da Pátria.

Hoje amanheceu fazendo calor novamente e não choveu. Me levantei e fui tomar café. Ainda não estou 100% da dor de barriga, mas estou 95%. Fomos ao “escritório” para o ultimo dia de trabalho. Emiti mais uma notificação. No meio de manhã o colega apareceu com uma necessidade que iria nos tomar muito tempo, mas que deveria ser feita! Ninguém merece! Planejamos dividimos a equipe e fomos almoçar de mototaxi. Comemos num restaurantezinho bem mais pobre que o da Dona Florinda (a do Chaves mesmo), mas a comida estava bem melhor que a dos outros dias. Passamos pelo hotel e voltamos para o escritório de mototaxi. Todas as vezes que subi no mototaxi disse ao condutor que eu não estava com pressa. Continuamos o serviço braçal... E o tempo voou! Já era mais de 20h e ainda estvamos trabalhando. Os funcionários da secretaria estavam de tromba... Mas tínhamos que entregar o trabalho. Depois que terminei minha parte desci pra comprar um bolo pronto no mercadinho pro pessoal e para respirar. Quando voltei, a notícia: um dos colegas tinha perdido tudo, pois o arquivo tinha dado erro. E agora? Tentei recuperar e nada! E eu só ria... não conseguia pensar. Perguntei se tinha outros recursos instalados no PC e me disseram que não. Então sugeri deixar para amanhã e virei as costas. Foi quando me deu o “estalo”: migrar o documento corrompido pro Google Docs. Ufa! Deu certo. Passamos pela Lan House (porque o secretario de finanças estava para nos engolir porque já eram 20h) para exportar o documento para o Excel novamente... sucesso! Fiquei doido pra tomar uma caipirinha, mas fomos ao hotel antes, tomei meu banho e me arrumei pra matar minha vontade. Rodamos a cidade e nem limão tinha, quanto mais caipirinha... Comemos uma pizza tamanho GG (12 pedaços) e agora estou aqui trabalhando para encerrar amanhã o mais cedo possível.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dia 22 de maio – A viagem de recreio naufragou

Acordei na dúvida se íamos trabalhar ou não, já que ontem voltei ao hotel sem ver todo mundo. Na hora do café descobri que íamos trabalhar um pouco hoje. O grupo foi dividido em três. Eu fui para a zona rural com o chefe para “ver” uma escola fantasma. Dois ficaram na cidade documentando. E três foram para as comunidades ribeirinhas. Combinamos de nos encontrar no “point” (o bar do hotel da confusão) para o almoço. O passeio foi mais tranqüilo, vimos escolas de estrutura excelente e muita melação ao prefeito atual. O prefeito daqui está para Tefé assim como o Roriz está para Brasília, daí dá pra imaginar como é por aqui: grandes obras, paternalismo, blá blá blá. Voltamos à cidade e fomos para o ponto de encontro. O pessoal não tinha chegado ainda e resolvemos dar uma volta e olhar o recreio (é o nome que eles dão ao barco que vai para Manaus). É um barco enorme. Ele estava sendo carregado com vários tipos de mercadoria: castanhas, alimentos, latas de tinta, tonéis com alguma coisa dentro. A carga vai dentro daquela parte do barco que fica submersa, abaixo do chão do navio (como se fosse o subsolo). No “térreo” tem uma espécie de pátio demarcado, o teto é uma grade onde o povo pendura as redes e onde ficam guardados os coletes salva-vidas. Esse pavimento é a “classe econômica” do barco, onde o povo viaja em redes e com as malas embaixo da rede. Me disseram que em épocas que o recreio sai com sua lotação máxima, ele carrega até 300 pessoas, então fica rede em cima de rede. Deve ser uma loucura. No segundo pavimento do barco tem uma área demarcada também para redes, mas é menor, e tem algumas suítes. As suítes são cabines bem pequenas e bem claustrofóbicas, a porta de entrada/saída é bem estreita, com ar condicionado, banheirinho bem apertado com o chuveiro em cima do vaso. Tem suítes com cama de casal, com beliches com cama de casal embaixo e cama de solteiro em cima, tem com beliche só de solteiro... No terceiro pavimento tem os camarotes (ou suítes), uma área de lazer e uma lanchonete com uma TV 29” coletiva. O preço: 300 reais o camarote ou 60 reais para ir na rede, mais 25 reais por uma rede nova. Quem viaja de rede deve sofrer mais com o calor e o ataque dos insetos, pois fica ao ar livre, fora ter que conviver com alguém que pode não estar muito cheiroso numa rede acima, abaixo, ou do lado. Acho que o canal é arranjar um local para armar a rede nos cantos da área demarcada. Só seio que vi pessoas chegando para garantirem os melhores lugares na hora do almoço e o barco só ia sair às 19h. Eu até encararia a volta para Manaus de recreio (de camarote, claro) para tentar adiantar minha volta a Brasília, mas o povo não quis. Voltamos ao ponto de encontro e o povo não tinha chegado ainda e resolvemos ir almoçar no restaurante da confusão do frango. Pedimos um filé. Estava bom, mas o atendimento é péssimo. De volta ao ponto de encontro. Enfim o pessoal estava lá. O povo almoçou por lá mesmo e ficamos por lá mesmo. Estava muito calor e eu não estava mais agüentando, até que resolvi voltar sozinho pro hotel. E o povo ficou no boteco. Fiquei no hotel até umas 16h, depois que a chuva passou e tirou as merdas de cachorro da rua, voltei para procurar o povo. Nem precisou, ainda estavam todos no “point”. Disse a eles que “adivinhei” que eles estavam lá e que se a gente tivesse combinado não teria dado certo de nos encontrarmos ali, naquele lugar. Fiquei lá um pouco, fui na lan house da rede de vice-prefeito e voltei ao “point” e o povo ainda estava lá com os pés feito raízes. Voltei ao hotel sozinho de novo. Fiquei mais esperando o povo me chamar pra ir comer alguma coisa. Sugeri uma pizza, mas ninguém me ouviu (como sempre). Fomos para a praça da cidade, num churrasquinho sujo. Não tive coragem de comer... Nem o Bruno. Fomos procurar uma pizza e achamos uma boazinha perto do hotel (putz, o hotel é longe do centro, quantas vezes fui e voltei ao hotel hoje...). O atendimento foi ótimo em vista dos serviços que encontramos na cidade. O nome do local é Trapiche Teen (já expliquei o que é trapiche, ou trapicho, em outro post), uma choupana de palafita bem arrumadinha, bem bonitinha, coberta de palha, com um palco no meio e uma cozinha de alvenaria ao lado. Pedimos uma metade frango com palmito e metade marguerita. Estava tudo bem tudo ótimo até que a pizza chega e a marguerita não tinha tomate. Reclamei com a dona super simpática que resolveu dar um super desconto de R$1,00. Conversei bastante com o colega sobre experiências da vida e foi a conversa mais produtiva que tive com alguém ate agora desde que fui pro FNDE. Resolvemos voltar ao hotel e por aqui mesmo vou ficar... To com saudade de casa... Não tenho nada pra falar da cidade hoje, acho que já detonei com o lugar o suficiente.

Dia 21de maio – O dia sem fim

Acordei bem melhor. Hoje amanheceu muito calor, nem o ar condicionado estava dando conta da temperatura. Tomei meu café, fui ao banheiro e fomos pro local de trabalho. Pelo jeito ainda vou continuar indo ao banheiro algumas vezes hoje, mas estou bem melhor. Pelo menos não é mais dor de barriga “tempestade completa”. Desde ontem o pessoal está querendo voltar a Manaus de barco: sair daqui na quinta e chegar lá no sábado pela manhã... A equipe foi dividida: um grupo foi para a zona rural (ribeirinha) e o outro ficou no “escritório”. Eu fiquei no segundo grupo, até porque ainda estava um pouco mal. Hoje não fizemos muitas coisas, já que os trabalhos de análise de documentos estavam bem adiantados. Fiz bastante coisa na Internet e conferi algumas pendências de trabalho. Fui almoçar um pouco: comi um peixe frito bem sequinho, arroz branco e farofa. No meio da tarde tomei um coco ouro gelado enorme no caminho para o barco que iríamos para Manaus, mas ele não estava encostado no porto, estava chegando a um armazém que fica na margem oposta. É um barco enorme e eu acho que encararia a viagem sim. Tinha um navio da marinha ancorado e conversei com um marinheiro tão simpático que chegava a ser prolixo: ele disse 5 palavras sem sequer franzir a testa. Agradeci e fui embora, mas tirei foto do navio. Passamos pela feira na volta, desta vez ela estava cheia. O pessoal comprou tucupi e algumas frutas. Vi algumas frutas diferentes das quais não lembro o nome, mas antes de voltar a Manaus vou lá perguntar o nome e experimentar TODAS! Encontramos muito peixe barato. Aqui o peixe não tem muito valor, não só porque o rio está a 50 metros do mercado, mas porque o povo não dá muito valor mesmo, pois é o comum aqui. Tinha tambaqui a 5 reais o quilo, tinha 3 peixes por R$10,00. Mas para ir à feira não tem que parecer um nativo, porque se os vendedores percebem que o cliente é de fora eles salgam o preço. Comprei dois souvenires (não é cocô de cachorro, nem urubu... é bonitinho!) Voltamos ao “escritório”, esperamos o pessoal voltar da aventura. Voltaram dizendo que o plano de voltar para Manaus de barco naufragou, pois voltaram da viagem cheios de pendências. Dividimos a equipe novamente: uma para planejar as pendências da aventura e a outra para a reunião com conselheiros. Fiquei no segundo grupo. Comemos um peixe no espetinho. A reunião começou às 19h30min e acabou por volta das 20h30min. Voltei ao hotel pra descansar um pouco, o dia de ontem não foi fácil e o de hoje também não. Pelo menos só fui ao banheiro no início da manhã, tomei um banho demorado (a água tava até boa). Mais sobre a cidade: pelo jeito aqui no interior do Amazonas encontrar saneamento básico decente é o mesmo que encontrar chifre em cabeça de cavalo. Tanto em Lábrea como aqui em Tefé não tem rede de esgoto. A diferença é que Tefé é uma cidade bem maior. Coloquei fotos de Manaus no Orkut, depois vou colocar das outras cidades e fazer as legendas. Por hoje é só. Vou descansar. Amanhã é feriado e não sei como vai ser: se vamos trabalhar ou não.