Acordei na dúvida se íamos trabalhar ou não, já que ontem voltei ao hotel sem ver todo mundo. Na hora do café descobri que íamos trabalhar um pouco hoje. O grupo foi dividido em três. Eu fui para a zona rural com o chefe para “ver” uma escola fantasma. Dois ficaram na cidade documentando. E três foram para as comunidades ribeirinhas. Combinamos de nos encontrar no “point” (o bar do hotel da confusão) para o almoço. O passeio foi mais tranqüilo, vimos escolas de estrutura excelente e muita melação ao prefeito atual. O prefeito daqui está para Tefé assim como o Roriz está para Brasília, daí dá pra imaginar como é por aqui: grandes obras, paternalismo, blá blá blá. Voltamos à cidade e fomos para o ponto de encontro. O pessoal não tinha chegado ainda e resolvemos dar uma volta e olhar o recreio (é o nome que eles dão ao barco que vai para Manaus). É um barco enorme. Ele estava sendo carregado com vários tipos de mercadoria: castanhas, alimentos, latas de tinta, tonéis com alguma coisa dentro. A carga vai dentro daquela parte do barco que fica submersa, abaixo do chão do navio (como se fosse o subsolo). No “térreo” tem uma espécie de pátio demarcado, o teto é uma grade onde o povo pendura as redes e onde ficam guardados os coletes salva-vidas. Esse pavimento é a “classe econômica” do barco, onde o povo viaja em redes e com as malas embaixo da rede. Me disseram que em épocas que o recreio sai com sua lotação máxima, ele carrega até 300 pessoas, então fica rede em cima de rede. Deve ser uma loucura. No segundo pavimento do barco tem uma área demarcada também para redes, mas é menor, e tem algumas suítes. As suítes são cabines bem pequenas e bem claustrofóbicas, a porta de entrada/saída é bem estreita, com ar condicionado, banheirinho bem apertado com o chuveiro em cima do vaso. Tem suítes com cama de casal, com beliches com cama de casal embaixo e cama de solteiro em cima, tem com beliche só de solteiro... No terceiro pavimento tem os camarotes (ou suítes), uma área de lazer e uma lanchonete com uma TV 29” coletiva. O preço: 300 reais o camarote ou 60 reais para ir na rede, mais 25 reais por uma rede nova. Quem viaja de rede deve sofrer mais com o calor e o ataque dos insetos, pois fica ao ar livre, fora ter que conviver com alguém que pode não estar muito cheiroso numa rede acima, abaixo, ou do lado. Acho que o canal é arranjar um local para armar a rede nos cantos da área demarcada. Só seio que vi pessoas chegando para garantirem os melhores lugares na hora do almoço e o barco só ia sair às 19h. Eu até encararia a volta para Manaus de recreio (de camarote, claro) para tentar adiantar minha volta a Brasília, mas o povo não quis. Voltamos ao ponto de encontro e o povo não tinha chegado ainda e resolvemos ir almoçar no restaurante da confusão do frango. Pedimos um filé. Estava bom, mas o atendimento é péssimo. De volta ao ponto de encontro. Enfim o pessoal estava lá. O povo almoçou por lá mesmo e ficamos por lá mesmo. Estava muito calor e eu não estava mais agüentando, até que resolvi voltar sozinho pro hotel. E o povo ficou no boteco. Fiquei no hotel até umas 16h, depois que a chuva passou e tirou as merdas de cachorro da rua, voltei para procurar o povo. Nem precisou, ainda estavam todos no “point”. Disse a eles que “adivinhei” que eles estavam lá e que se a gente tivesse combinado não teria dado certo de nos encontrarmos ali, naquele lugar. Fiquei lá um pouco, fui na lan house da rede de vice-prefeito e voltei ao “point” e o povo ainda estava lá com os pés feito raízes. Voltei ao hotel sozinho de novo. Fiquei mais esperando o povo me chamar pra ir comer alguma coisa. Sugeri uma pizza, mas ninguém me ouviu (como sempre). Fomos para a praça da cidade, num churrasquinho sujo. Não tive coragem de comer... Nem o Bruno. Fomos procurar uma pizza e achamos uma boazinha perto do hotel (putz, o hotel é longe do centro, quantas vezes fui e voltei ao hotel hoje...). O atendimento foi ótimo em vista dos serviços que encontramos na cidade. O nome do local é Trapiche Teen (já expliquei o que é trapiche, ou trapicho, em outro post), uma choupana de palafita bem arrumadinha, bem bonitinha, coberta de palha, com um palco no meio e uma cozinha de alvenaria ao lado. Pedimos uma metade frango com palmito e metade marguerita. Estava tudo bem tudo ótimo até que a pizza chega e a marguerita não tinha tomate. Reclamei com a dona super simpática que resolveu dar um super desconto de R$1,00. Conversei bastante com o colega sobre experiências da vida e foi a conversa mais produtiva que tive com alguém ate agora desde que fui pro FNDE. Resolvemos voltar ao hotel e por aqui mesmo vou ficar... To com saudade de casa... Não tenho nada pra falar da cidade hoje, acho que já detonei com o lugar o suficiente.
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